
A Presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Luísa Celma Meque, destacou, esta segunda-feira (12), em Roma, os avanços de Moçambique na implementação de Acções Antecipadas para mitigação de eventos extremos, com enfoque para a seca, sublinhando o impacto positivo dessas iniciativas na salvaguarda das comunidades vulneráveis.
Falando durante uma mesa-redonda internacional sobre a matéria, Meque sublinhou que Moçambique, sendo um dos países mais expostos a choques climáticos devido à sua localização geográfica, tem apostado na institucionalização de mecanismos proactivos. “A experiência de Moçambique na tomada de medidas preventivas é de longa data. Recentemente, o Governo aprovou a Estratégia Nacional para o Estabelecimento de um Sistema Integrado de Fluxo de Informação de Aviso Prévio de Cheias e Ciclones, bem como manuais de activação de planos para seca, cheias e ciclones, baseando-se em previsões climáticas”, explicou.
Em 2023, a activação do Plano de Acção Antecipada para a seca, associada ao fenómeno El Niño, permitiu beneficiar mais de 350 mil pessoas com avisos prévios, insumos agropecuários, reabilitação de fontes de água, transferências monetárias e cabazes alimentares. Já na presente época chuvosa e ciclónica, mais de 4,5 milhões de pessoas foram abrangidas por medidas antecipadas em resposta aos ciclones tropicais Chido, Dikeledi e Jude, com destaque para a disseminação de mensagens de alerta, abrigo temporário e assistência alimentar.
A Presidente do INGD fez ainda menção ao apoio fundamental do Programa Mundial de Alimentação (PMA), da FAO e do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), que nos últimos cinco anos têm contribuído com inovação e capacidade operacional para respostas multirriscos.
“A importância das acções antecipadas reside na sua capacidade de reduzir o impacto dos choques climáticos, protegendo vidas humanas e meios de subsistência, diminuindo a necessidade de respostas humanitárias de emergência”, frisou Meque, destacando que o compromisso dos parceiros complementa os esforços nacionais frequentemente limitados por constrangimentos financeiros.
A intervenção de Moçambique nesta mesa-redonda decorreu em paralelo com a realização, pela SADC, de uma Reunião Extraordinária dos Ministros Responsáveis pela Redução do Risco de Desastres, demonstrando a prioridade regional atribuída ao tema. Meque apelou à expansão das acções antecipadas para outros países da região, propondo o Centro Regional de Operações Humanitárias e de Emergência da SADC, sediado em Nacala, como plataforma operacional para essa finalidade.
Luísa Celma Meque terminou a sua intervenção reiterando agradecimentos ao Governo da Noruega, através da NORAD, pelo apoio contínuo à iniciativa, expressando confiança de que essa colaboração continuará a gerar impactos positivos e sustentáveis nas comunidades moçambicanas mais vulneráveis às alterações climáticas.
