
A presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Luísa Celma Meque, defendeu nesta quinta-feira, 05 de Junho, em Genebra, a importância de reforçar a compreensão e a aplicação de dados sobre o impacto dos desastres como ferramenta essencial para a tomada de decisões informadas, eficazes e sustentáveis na gestão de riscos.

Falando durante o painel subordinado ao tema “Reforçar a compreensão de dados sobre o impacto dos desastres e a sua aplicação na tomada de decisões”, Meque afirmou que a experiência de Moçambique, um dos países mais vulneráveis aos eventos extremos, mostra que a recolha e análise sistemática de dados é indispensável para planificar a recuperação e fortalecer a resiliência das comunidades.
“A nossa realidade obriga-nos a adoptar uma abordagem cada vez mais científica e preventiva”, afirmou a presidente do INGD, recordando que, nos últimos três anos, o País foi afectado por seis ciclones tropicais que causaram cerca de 400 mortes, 1.800 feridos e afectaram directamente cerca de três milhões de pessoas.
Só na presente época chuvosa 2024-2025, Moçambique foi atingido por três ciclones — Chude, Dikeledi e Jude — enquanto vastas zonas do território ainda se recuperavam dos efeitos severos da seca.
Perante centenas de participantes oriundos de todo o mundo, Luísa Celma Meque disse que Governo moçambicano tem priorizado a recolha de dados através de Avaliações de Perdas e Necessidades Pós-Desastres, fundamentais para orientar a reconstrução e reabilitação de infraestruturas e meios de subsistência. “Temos uma Lei específica para a gestão de risco e integrámos essa visão nos nossos instrumentos de planificação de curto, médio e longo prazo”, disse.
Apesar dos avanços, a presidente do INGD reconheceu que persistem desafios, sobretudo na gestão de bases de dados e na utilização de tecnologias de informação e comunicação, cuja cobertura ainda é limitada no território nacional. “Contamos com o apoio dos nossos parceiros para melhorar estas ferramentas que são vitais para uma planificação efectiva do desenvolvimento económico sustentável do País”, sublinhou.
Luísa Celma Meque destacou ainda a importância de um sistema de coordenação robusto, liderado politicamente pelo Conselho de Ministros e tecnicamente por sectores relevantes e a equipa humanitária nacional. Esse sistema está replicado localmente através de Centros Operativos de Emergência, com ligação prevista ao Centro de Operações Humanitárias e de Emergência, sediado em Nacala, e à Sala de Situações da União Africana, no quadro da plataforma AMEWAS.
Na sua intervenção final, a Presidente do INGD, que lidera a comitiva moçambicana na Suíça, enalteceu o papel dos parceiros internacionais, incluindo agências das Nações Unidas, organizações não-governamentais e a sociedade civil, pelo apoio contínuo à redução do risco de desastres em Moçambique. “A todos os que se juntam às boas iniciativas em prol das populações mais vulneráveis, o nosso profundo agradecimento”, concluiu.
