
O Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) e o Programa Mundial de Alimentação (PMA) reafirmaram, em Maputo, o compromisso de fortalecer a parceria na preparação e resposta às emergências, num contexto marcado pelo agravamento dos riscos climáticos e pela redução dos recursos destinados à assistência humanitária. O compromisso foi assumido durante uma audiência de trabalho entre a Presidente do INGD, Luísa Celma Meque, e a Directora do PMA em Moçambique, Claire Conan, que serviu para avaliar a colaboração entre as duas instituições e alinhar prioridades para os próximos anos.
Claire Conan destacou o papel estratégico do INGD na resposta às emergências e confirmou o compromisso do PMA de continuar a apoiar o Governo, apesar das limitações financeiras que afectam a organização. “O INGD vai continuar a ser o nosso principal parceiro neste nosso novo plano estratégico”, afirmou Conan, salientando que o novo Plano Estratégico do PMA para 2027–2030 deverá reforçar a assistência técnica em áreas como aviso prévio, acções antecipadas e financiamento de riscos de desastres. A dirigente recordou ainda a resposta às cheias de 2026, destacando que o aviso prévio alcançou mais de 700 mil pessoas e que as acções antecipadas, incluindo a instalação de centros de acomodação e a distribuição de alimentos.
Por sua vez, a Presidente do INGD, Luísa Celma Meque, defendeu uma actuação cada vez mais antecipada perante os riscos que ameaçam o país, destacando a importância de reforçar os mecanismos de aviso prévio e levar informação atempada às comunidades. A dirigente alertou que os impactos do fenómeno El Niño já começam a ser sentidos em algumas zonas, onde “as culturas estão a secar”, sublinhando que “não devemos esperar que os impactos sejam fortes” para agir. Luísa Meque apelou igualmente ao reforço das acções antecipadas e à mobilização de recursos, considerando que a redução do financiamento humanitário poderá aumentar os desafios de resposta. “Se não tomarmos a iniciativa e a dianteira de atrair recursos, podemos até ter vários problemas”, alertou, defendendo uma maior preparação para fazer face aos riscos da próxima época chuvosa.


